um dia, ela quis saber sobre o impossível. Achou fraco o dicionário. Buscou alguma história que lhe mostrasse o que aquilo poderia ser. Deitou-se, abriu a página de casa e deslizou os dedos pelo passeio. Enxergou uma manhã bonita, um azul onírico e gigante... Lia tudo ao redor, deslumbrada. E ia caminhando. Passava pelas palavras, pelas ruas, pelas frases, pelos períodos do dia. Era apresentada aos personagens, encantava-se com alguns e intimidava-se com outros. De outros tantos preferia distar-se. Pouca afinidade. Identificou-se com um, em específico. Destinava-lhe maior atenção, vivia com ele os seus cenários. De quem? Pouco importa! Viveu com ele várias cenas. Alguns momentos eram tão claros, que era capaz de grifá-los e guardá-los para sempre. Outros pareciam estranhos. Não os compreendia. Mas ela sabia que tinha escolhido uma história complicada. Sabia, aliás, que todas as histórias tem suas complicações. De todos os momentos, houve um, em específico, aquele último, que ela quis grifar e marcar todas as gradativas passagens que lhe serviram de condução até ali. O que viu, o que sentiu, o que escutou, tudo o que pôs em si um sorriso, um encanto, um compasso binário de sístole e diástole, sístole e diástole, sístole e diástole... De súbito, despertou. Incrédula, fechou os olhos. Abriu-os. Tornou a fechar, apertando-os bem. Abertos, olhou em volta. Paredes brancas e o velho livro. Virou a página, outra e outra. Como quem busca algo. Fechou-o. Não precisava saber mais nada.
::
Adorei, cada vez mais bem compassado.
ResponderExcluir