não me mandem sorrir, que hoje isso não me cabe. Faltam-me dedos, unhas, boca, dentes, tudo.
Não me mandem revolver ternura, que agora não dá. Foi embora. Sumiu. Me deixou com esse ar de cão de beira de calçada, que em nada mais crê. E que vez em quando levanta a cabeça para garantir que ainda se movam as articulações.
Hoje o cão nem sabe latir. E está inerte, enquanto sente o vento empoeirado das pernas que quase lhe alcançam a cara. As pernas são indiferentes. O cão é indiferente às pernas.
Hoje o cão está aqui. E sente nos olhos somente a poeira das pernas que passam.
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Tou tentando comentar e não consigo porque tá me doendo :(
ResponderExcluirbjs
Se para comentar dói, imagine a sensação de escrever isso... "Tem dias que a gente se sente..."
ResponderExcluirUm abraço forte, Bípede!
Alguns pedem socorro porque não sentem nada e outros sugam de cada vento batendo na perna do cachorro emoções profundas.. Já não sei, como F Pessoa, o que é certo e o que é errado. Viver é latente?
ResponderExcluirli todos os posts. todos mesmo! espero novas atualizações. beijo! =*
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