sábado, 15 de janeiro de 2011

(sem título)

ando gargalhando com os dedos.Talvez por isso estejam flácidos os meus pulmões. Hoje uma gargalhada genuína roubaria meu resto de ar. Por isso me acho de boca fechada, molares grudados. Talvez sangrem as gengivas. E se sangram, eu não vejo. Mas posso sentir. É esse salivar constante, essa deglutição penosa. Boca fechada e penso que é suficiente para disfarçar. Mas não é. Se gargalho com os dedos é preciso trocar esse esmalte vermelho, limpar o sangue comprimido e ressecado. Quando sangram, não vejo. Mas posso sentir. Na carne. Na alma. Na alma talhada, que traz o sorriso nos vincos. E o indolente relevo. Grava silêncios. E pensa que é suficiente para disfarçar.
::

Nenhum comentário:

Postar um comentário